Copa 2026: além dos favoritos, seleções que podem surpreender
Análise das seleções que podem surpreender na Copa 2026: Japão, Marrocos, Colômbia e Nigéria são candidatas a zebra no Mundial.
Toda Copa do Mundo tem suas zebras. Se a história dos Mundiais nos ensina algo, é que o futebol reserva surpresas impossíveis de prever em planilhas ou algoritmos. Em 2022, a Arábia Saudita venceu a Argentina na estreia, o Marrocos alcançou as semifinais e a Austrália superou a fase de grupos. Em 2026, com 48 seleções e um formato expandido que amplia o campo de possibilidades, as chances de reviravoltas são ainda maiores. Neste artigo, analisamos as seleções que, além dos favoritos tradicionais, podem protagonizar campanhas surpreendentes no Mundial da América do Norte.
Os favoritos de sempre
Antes de olhar para as surpresas, é importante situar quem ocupa o topo das apostas. A Argentina de Lionel Scaloni chega como atual bicampeã (Copa América e Copa do Mundo) e carrega a inércia de um ciclo vitorioso que poucos conseguiram interromper. A França, mesmo com as turbulências internas, possui um elenco profundo e talentoso. A Inglaterra mantém a esperança de encerrar um jejum que remonta a 1966. A Alemanha busca redenção após eliminações precoces recentes. E o Brasil, com uma geração liderada por Vinicius Jr, almeja o hexacampeonato que a torcida espera há mais de duas décadas, conforme analisamos ao abordar os rivais do Brasil na Copa 2026.
Esses são os nomes que aparecem em todas as listas de favoritos. Mas a Copa do Mundo raramente se limita ao roteiro previsível.
Japão: a potência asiática em ascensão
O Japão é talvez a candidata mais consistente ao papel de surpresa em 2026. A seleção japonesa vem em uma trajetória ascendente impressionante nas últimas duas décadas, e a geração atual é provavelmente a mais talentosa da história do país. Com jogadores espalhados pelas principais ligas europeias — Bundesliga, Premier League, La Liga e Serie A —, o Japão combina velocidade, disciplina tática e qualidade técnica individual.
Na Copa de 2022, no Qatar, o Japão já havia dado sinais claros de sua evolução ao vencer a Alemanha e a Espanha na fase de grupos, antes de cair nas oitavas de final para a Croácia nos pênaltis. Desde então, a seleção comandada por Hajime Moriyasu seguiu se fortalecendo, com uma campanha dominante nas eliminatórias asiáticas. A organização defensiva e a capacidade de transição rápida tornam o Japão um adversário incômodo para qualquer seleção do mundo. Para quem acompanha as tendências táticas do futebol moderno, o estilo japonês é um modelo de eficiência.
Marrocos: o legado de 2022 pode se repetir?
A campanha do Marrocos na Copa de 2022 foi histórica. Os Leões do Atlas se tornaram a primeira seleção africana a alcançar uma semifinal de Copa do Mundo, eliminando Bélgica, Espanha e Portugal pelo caminho. A pergunta que se impõe é: aquela campanha foi um ponto fora da curva ou o início de uma era de competitividade sustentada?
Tudo indica a segunda opção. O Marrocos possui uma diáspora futebolística que permite recrutar talentos nascidos e formados nas principais academias europeias, especialmente na França, Espanha e Holanda. Jogadores como Achraf Hakimi, que atua no PSG, e outros que brilham na Europa dão ao Marrocos um nível técnico que poucas seleções africanas conseguem alcançar. Além disso, o investimento em infraestrutura e no futebol de base no próprio país tem produzido resultados concretos. A CONMEBOL e a CAF têm intensificado intercâmbios que elevam o nível de competição em ambos os continentes.
A torcida marroquina, uma das mais apaixonadas e barulhentas do mundo, será uma arma extra nos estádios da América do Norte. Com uma grande comunidade marroquina nos Estados Unidos e no Canadá, os jogos do Marrocos terão um ambiente quase de mandante, o que pode ser decisivo em confrontos equilibrados.
Colômbia: talento de sobra e um técnico pragmático
A Colômbia é outra seleção que merece atenção redobrada. Sob o comando do argentino Néstor Lorenzo, os Cafeteros combinam talento individual com uma organização tática que muitas vezes faltou em ciclos anteriores. A campanha na Copa América de 2024, onde a Colômbia alcançou a final, demonstrou que a seleção tem capacidade de competir no mais alto nível.
O elenco colombiano é rico em opções ofensivas, com jogadores que atuam em clubes de primeira linha na Europa. A intensidade no meio-campo, a criatividade na armação e a presença física na defesa formam um conjunto que pode causar problemas a qualquer adversário. Nas Eliminatórias Sul-Americanas, a Colômbia mostrou regularidade e capacidade de vencer jogos difíceis fora de casa, o que é um indicativo importante para um torneio disputado em campo neutro.
Para o Brasil, a Colômbia é um rival especialmente perigoso. Os confrontos entre as duas seleções nas Eliminatórias foram marcados por equilíbrio e intensidade, e um eventual cruzamento nas fases eliminatórias da Copa poderia resultar em um dos jogos mais emocionantes do torneio.
Nigéria: o gigante adormecido da África
A Nigéria sempre é mencionada como potencial surpresa em Copas do Mundo, mas raramente concretiza esse potencial no palco máximo. Em 2026, os Super Eagles possuem motivos concretos para acreditar que podem ir além das fases iniciais. A liga nigeriana tem se desenvolvido, e o número de jogadores atuando em clubes europeus de primeiro escalão cresceu significativamente.
A força física, a velocidade e a imprevisibilidade tática tornam a Nigéria difícil de enfrentar. No formato expandido da Copa, equipes com elencos profundos e versáteis podem se beneficiar. A Nigéria se encaixa nesse perfil, segundo dados do Transfermarkt.
Outras seleções no radar
Além das quatro citadas, outras seleções merecem menção. Os Estados Unidos, como país-sede, contam com o fator casa e uma geração de jogadores que nunca teve tanta qualidade. O Senegal, vice-campeão africano, possui um elenco competitivo. A Coreia do Sul, que fez história em 2002 ao chegar às semifinais como co-anfitriã, tem tradição de boas atuações em Mundiais. E a Suíça, sempre consistente, pode novamente surpreender uma potência nas oitavas de final.
O formato com 48 seleções, como abordamos em nosso guia completo da Copa 2026, aumenta a probabilidade de resultados inesperados simplesmente porque há mais jogos e mais combinações possíveis. A fase de grupos com três partidas pode ser cruel: uma derrota inesperada na estreia coloca qualquer favorito sob pressão imensa.
O que a história nos ensina
Olhar para o passado é instrutivo. A Croácia, com uma população de menos de quatro milhões de habitantes, foi finalista em 2018 e semifinalista em 2022. A Coreia do Sul e a Turquia alcançaram as semifinais em 2002. O Gana ficou a um pênalti das semifinais em 2010. A história das Copas é repleta de exemplos que provam que o futebol não respeita hierarquias estabelecidas.
Em 2026, com mais seleções, mais jogos e a imprevisibilidade inerente ao esporte, a probabilidade de surpresas é matematicamente maior. Para os fãs brasileiros que acompanham a Seleção, conhecer os possíveis adversários inesperados é fundamental para calibrar expectativas e entender que o caminho até a taça será longo e cheio de desafios.
A Copa do Mundo é o único torneio em que tudo pode acontecer em 90 minutos. E em 2026, com o mundo inteiro reunido na América do Norte, as surpresas serão parte essencial do espetáculo. Para acompanhar todos os desdobramentos, consulte também as análises nos bastidores da preparação das seleções e as informações oficiais da FIFA.