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Endrick: a grande promessa do ataque da Seleção Brasileira

Perfil de Endrick, a joia do Real Madrid e promessa da Seleção Brasileira para a Copa 2026, com comparações a Ronaldo Fenômeno.

Lucas Mendes 5 min de leitura
Ilustração editorial sobre futebol brasileiro
Ilustração: Brasil Copa do Mundo

O futebol brasileiro sempre foi pródigo em revelar talentos precoces que desafiam as expectativas e reescrevem os limites do que se espera de um jogador jovem. Pelé tinha 17 anos quando encantou o mundo na Suécia em 1958. Ronaldo Fenômeno era pouco mais que um adolescente quando começou a aterrorizar defesas pelo mundo. Agora, às vésperas da Copa do Mundo de 2026, o Brasil deposita suas esperanças em mais um jovem extraordinário: Endrick Felipe Moreira de Sousa, o centroavante do Real Madrid que, aos 19 anos, carrega nos ombros a responsabilidade de ser a referência ofensiva da Seleção Brasileira.

A formação no Palmeiras

A história de Endrick começa em Taguatinga, cidade satélite de Brasília, onde nasceu em 2006. Filho de Douglas e Cíntia, Endrick demonstrou desde os primeiros passos uma relação instintiva com a bola que chamou atenção de olheiros de todo o país. Foi no Palmeiras que encontrou o ambiente ideal para desenvolver seu talento, ingressando nas categorias de base do clube paulista e rapidamente se destacando como o maior prodígio de sua geração.

Os números de Endrick nas categorias de base do Palmeiras são impressionantes e bem documentados. Artilheiro em praticamente todas as competições que disputou, ele chamou a atenção não apenas pelos gols, mas pela maturidade tática e pela capacidade física acima da média para sua idade. Aos 16 anos, Abel Ferreira o promoveu ao time profissional, e Endrick respondeu com gols decisivos no Campeonato Brasileiro e na Copa Libertadores, quebrando recordes de precocidade que pertenciam a ídolos do clube.

Segundo o Transfermarkt, Endrick já figurava entre os jogadores sub-18 mais valiosos do mundo antes mesmo de completar seu primeiro ano como profissional. O Real Madrid, atento ao fenômeno, fechou sua contratação antes que ele completasse 17 anos — uma movimentação que lembrou a forma como o clube espanhol agiu com Vinicius Jr anos antes.

A adaptação ao Real Madrid

A chegada ao Real Madrid em 2024 representou um salto gigantesco na carreira de Endrick. Deixar o conforto do Brasil para enfrentar a pressão do maior clube do mundo não é tarefa simples para nenhum jogador, muito menos para um adolescente. No entanto, Endrick demonstrou desde os primeiros treinos que estava preparado para o desafio.

Carlo Ancelotti, e posteriormente o treinador que o sucedeu, integraram Endrick gradualmente ao elenco, utilizando-o como opção de rodízio e em substituições nos minutos finais. Essa estratégia permitiu que o jovem brasileiro absorvesse o ritmo do futebol europeu sem a pressão de ser titular imediato. Ao lado de Vinicius Jr e Rodrygo — seus companheiros de seleção —, Endrick encontrou um núcleo brasileiro que facilitou sua adaptação cultural e linguística.

Na temporada 2025-2026, Endrick passou a ter mais minutos e correspondeu com gols importantes, incluindo atuações memoráveis na Champions League que o colocaram definitivamente no radar mundial. Sua evolução no Real Madrid reflete a análise tática que aponta o centroavante moderno como um jogador que precisa combinar finalização, movimentação inteligente e participação na construção das jogadas.

A comparação inevitável com Ronaldo

Toda grande promessa brasileira que surge como centroavante precisa lidar com a sombra de Ronaldo Fenômeno. A comparação é inevitável e, no caso de Endrick, não é descabida. Assim como Ronaldo, Endrick possui uma explosão muscular impressionante, capaz de arrancar em alta velocidade com a bola dominada e finalizar com precisão letal. A potência de seus chutes, tanto com o pé direito quanto com o esquerdo, lembra o jovem Ronaldo que destruía defesas no PSV e no Barcelona.

A história do futebol brasileiro ensina, no entanto, que comparações precoces podem ser uma armadilha. Ronaldo, aos 19 anos, já era artilheiro da Copa do Mundo de 1998 e carregava um time inteiro nas costas. Endrick ainda está construindo seu legado e precisa de tempo para amadurecer. O que os une é o instinto assassino dentro da área, aquela capacidade de aparecer no momento exato e transformar meia chance em gol — uma qualidade que não se ensina, mas que se reconhece imediatamente quando se vê.

De acordo com a FIFA, Endrick é um dos jogadores mais jovens a marcar em Eliminatórias Sul-Americanas pelo Brasil, um feito que o coloca em companhia seleta e reforça as expectativas ao redor de seu nome.

O papel na Seleção de Dorival

Dorival Júnior enxerga em Endrick a solução para uma carência histórica recente da Seleção: a falta de um centroavante de referência. Desde a aposentadoria de Fred da seleção, o Brasil oscilou entre opções que nunca se firmaram plenamente na posição. Richarlison, apesar de sua entrega e gols importantes, não oferece o mesmo perfil técnico. Pedro, do Flamengo, é uma alternativa valiosa, mas Endrick representa o futuro e, cada vez mais, o presente.

No sistema de Dorival, Endrick atua como o “9” clássico, mas com liberdade para flutuar pelos espaços e se associar com os meias. Sua conexão com Vinicius Jr é especialmente promissora — enquanto Vini atrai marcadores pela esquerda, Endrick posiciona-se para receber bolas na área ou explorar espaços deixados pela defesa adversária. A parceria com Rodrygo, construída nos treinos do Real Madrid, adiciona mais uma camada de entrosamento que pode ser decisiva.

Nos bastidores da Seleção, Endrick é descrito como um jogador maduro para sua idade, com uma mentalidade competitiva que impressiona os companheiros mais experientes. Marquinhos e outros veteranos do grupo têm atuado como mentores, ajudando-o a lidar com a pressão que acompanha vestir a camisa amarela.

O peso da Copa do Mundo

A Copa de 2026 pode ser o palco de consagração de Endrick, assim como 1958 foi para Pelé e 1998 começou a ser para Ronaldo. Mas é importante lembrar que a história também registra jovens que sucumbiram à pressão — o próprio Ronaldo viveu o trauma da final de 1998 antes de se redimir em 2002. Para Endrick, o equilíbrio entre expectativa e realidade será fundamental.

As Eliminatórias serviram como laboratório para que Endrick experimentasse a atmosfera de jogos decisivos pela Seleção. Cada gol marcado, cada partida disputada, contribuiu para a construção de uma confiança que será testada ao limite nos estádios dos Estados Unidos, México e Canadá.

A convocação de Dorival Júnior para a Copa do Mundo 2026 certamente incluirá Endrick, seja como titular ou como uma arma letal vinda do banco de reservas. Sua capacidade de mudar jogos em poucos minutos — como já demonstrou diversas vezes pelo Real Madrid — faz dele uma peça insubstituível no xadrez tático brasileiro.

O futebol brasileiro espera por um novo herói, alguém que carregue o peso da camisa com a mesma naturalidade dos grandes que vieram antes. Endrick tem todos os ingredientes para ser esse jogador. Aos 19 anos, com o mundo aos seus pés e a Copa à sua frente, o centroavante do Real Madrid é a encarnação da eterna promessa do futebol brasileiro — a de que o próximo gênio está sempre por vir. Para a CBF e para os milhões de torcedores que sonham com o hexa, Endrick é a esperança que renova a crença de que o Brasil voltará ao topo do mundo.